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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Improvisar


Em tempo de dificuldades económicas (já abomino a palavra crise) é tempo de repensar novas soluções, é tempo de poupar, é tempo de olhar para as coisas de outra prespectiva, é tempo de improvisar.
Tenho visto muita gente a optar por andar de bicicleta, de scooter, ou mesmo á lá pata.
Tenho visto muito mais gente a apagar os interruptores quando sai de um lugar que fica vazio, a comprar marcas brancas e tentar comer menos (até porque está na moda emagrecer).
Tenho visto muita gente a reaproveitar as coisas que lhes dão desde bolsas a sapatos passando por roupa para os miúdos, tapetes e cobertores.
Tenho visto muita gente a reinventar a moda reciclando peças usadas, fazendo novas opções de combinações e criando novos visuais porque afinal a moda somos nós que a fazemos com a nossa atitude com o que vestimos.
Tenho visto muita gente a inventar trabalho com aquilo que sabe fazer melhor, obrigando a economia a girar mesmo sem entrar nos moldes do economicismo teórico, venham daí os doces e os rissóis da vizinha da tia da empregada da amiga.
Tenho visto Portugal desanimado sim mas ainda assim sem baixar os braços perante um problema, mais um de muitos que o nosso pequeno país à beira-mar plantado já passou ao longo dos séculos.
Tenho fé que Portugal vai dar a volta por cima, não à custa dos políticos ou grandes pensadores mas à custa dos pequenos e pobres portugueses que aprenderam com a experiência dos anos e a dureza da vida que é preciso improvisar, é preciso lutar, contra os canhões (sejam eles quais forem) marchar, marchar (enfrentar os problemas de frente, sempre de frente).

sábado, 23 de julho de 2011

Hoobie Limpezas


Ontem a minha rica irmã chegou a uma conclusão estrondosa que está prestes a mudar a visão dela do que são prioridades e quem sabe de mudar a própria visão do mundo.
A minha mãe quer vir de férias para se dedicar ao seu hoobie preferido ao qual só se dedica durante o ano aos fins-de-semana e a correr - Fazer Limpezas.
por isso não quer sair de casa porque há muitas gavetas e gavetinhas por arrumar, há muito pó para tirar, a muito chão para esfregar...
Depois ainda tem a lata de criticar a minha opção de férias... contudo eu também gosto muito de limpar e ver tudo a brilhar... será que isto é hereditário ou será que se pega? :)


Cuidado mana porque a comprovar-se esta tese a próxima com a mania das limpezas és tu...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As razões de um Ateu


"Senhoras e senhores, eis Rick Gervais no seu melhor.

Por que não acreditas em Deus? Fazem-me esta pergunta a toda a hora. Tento sempre dar uma resposta sensível e racional, o que é sempre estranho, uma perda de tempo e desprovido de sentido. As pessoas que acreditam em Deus não necessitam de uma prova da sua existência e certamente não pretendem evidências do contrário. São felizes com a sua crença. Inclusivamente, dizem coisas como “para mim, é verdade” e “trata-se de fé”. Ainda assim, eu dou a minha resposta lógica, porque sinto que não sendo honesto seria paternalista e indelicado da minha parte. É, portanto, irónico que “eu não acredito em Deus porque não há qualquer prova científica da sua existência e, pelo que sei, a própria definição de Deus é uma impossibilidade lógica no Universo conhecido” acabe por ser simultaneamente paternalista e indelicado.

Arrogância é outra acusação. Que me parece particularmente injusta. A ciência procura a verdade. E não discrimina. Para o melhor e para o pior, descobre coisas. A ciência é humilde. Sabe o que sabe e sabe o que não sabe. Baseia as suas conclusões e crenças em fortes provas – provas essas que são constantemente actualizadas e melhoradas. A ciência não fica ofendida quando surgem novos factos e aceita o corpo do conhecimento. Não se agarra a práticas medievais só porque são tradicionais. Se o fizesse, não teríamos uma injecção de penicilina; baixaríamos as calças, enfiaríamos uma sanguessuga e rezaríamos. O que quer que seja em que se “acredite”, nunca será tão eficaz como a medicina. Novamente, poder-se-á dizer “comigo, funciona”, mas também os placebos funcionam. O que quero dizer é que Deus não existe. Não estou a dizer que a fé não existe. Eu sei que a fé existe. Verifico-o a toda a hora. Mas acreditar numa coisa não faz dela uma verdade. Esperar que uma coisa seja verdadeira não faz dela uma verdade. A existência de Deus não é subjectiva. Ele ou existe ou não existe. Não é uma questão de opinião. Podemos ter as nossas próprias opiniões. Mas não podemos ter os nossos próprios factos.

Por que é que não acredito em Deus? Não, não, por que é que se acredita em Deus? Certamente que o ónus da prova está no crente. Foi ele quem começou tudo isto. Se eu me chegasse ao pé de alguém e dissesse “Por que não acreditas que eu posso voar?”, dir-me-iam “Por que haveria de acreditar?”, e eu responderia “Porque é uma questão de fé”. Se eu, depois, dissesse “Prova que eu não posso voar; vês, não consegues prová-lo, pois não?” provavelmente virar-me-iam as costas, chamariam a segurança ou atirar-me-iam da janela e diriam “Então voa aí, seu lunático de m****!”

Trata-se, evidentemente, de uma questão espiritual. A religião é um assunto diferente. Como ateu, não vejo nada de “errado” na crença num deus. Não acredito que haja um deus, mas acreditar nele não faz mal algum. Se ajuda de algum modo, então tudo bem, para mim. É quando a crença começa a infringir os direitos das pessoas que começa a preocupar-me. Eu nunca negaria a alguém o direito de acreditar num deus. Só preferiria que não se matassem pessoas que acreditam num deus diferente, vá. Ou que não se apedrejasse alguém até à morte porque um certo livro de regras diz que a sua sexualidade é imoral. É esquisito que alguém acredite que um poder omnisciente, omnipotente e omnipresente, responsável por tudo quanto acontece, possa igualmente querer julgar e castigar as pessoas por aquilo que são. De tudo quanto consigo coligir, o pior que se pode ser é mesmo um ateu. Os primeiros quatro mandamentos confirmam este ponto. Há um deus, eu sou esse deus, mais ninguém é, ninguém é tão bom e não te esqueças disso. (Não matar não é mencionado senão no número 6).

Quando confrontado com alguém que leva a minha irreligiosidade tão a peito, eu respondo “Foi o modo como Deus me fez”.
Mas de que é que os ateus são, na verdade, acusados?

A definição de Deus no dicionário é “criador sobrenatural e supervisor do universo”. Incluídos nesta definição estão as divindades, as deusas e os seres sobrenaturais todos. Desde o início da história, que é marcado pelo início da escrita pelos Sumérios há cerca de seis mil anos, os historiadores catalogaram mais de 3.700 seres sobrenaturais, dos quais 2.870 podem ser considerados divindades.

Sendo assim, da próxima vez que alguém me disser que acredita em Deus, direi “Qual? Zeus? Hades? Júpiter? Marte? Odin? Krishna? Vishnu? Rá?…” E se me responderem “Só Deus. Eu acredito no Deus Uno”, eu assinalarei que esse alguém é quase tão ateu como eu. Eu não acredito em 2.870 deuses e ele não acredita em 2.869.

Eu costumava acreditar em Deus. O Deus Cristão, quero dizer.

Eu adorava Jesus. Era o meu herói. Mais do que estrelas pop. Mais do que futebolistas. Mais do que Deus. Deus era, por definição, omnipotente e perfeito. Jesus era um homem. Teve de se esforçar. Teve tentações mas derrotou o pecado. Era íntegro e corajoso. Mas Ele era o meu herói porque Ele era bondoso. E Ele era bondoso para toda a gente, não oferecia pressão, tirania ou crueldade aos seus pares. Não queria saber quem era quem. Amava todos. Que homem! Eu queria ser tal como Ele.

Um dia, quando tinha cerca de 8 anos, estava a desenhar a crucificação, como trabalho de casa de Estudos Bíblicos. Eu também adorava arte. E a natureza. Gostava de como Deus fizera os animais. Eles também eram perfeitos. Incondicionalmente belos. Era um mundo espantoso.

Eu vivia numa casa pobre, típica da classe trabalhadora, em Reading, cerca de quarenta milhas a oeste de Londres. O meu pai era um trabalhador e a minha mãe dona de casa. Nunca me envergonhei da pobreza. Era quase nobre. Para além disso, toda a gente que eu conhecia vivia na mesma situação e eu tinha tudo aquilo de que precisava. A escola era gratuita. As minhas roupas eram baratas e estavam sempre limpas e passadas a ferro. E a mãe estava sempre a cozinhar. Ela também estava a cozinhar no dia em que eu desenhava a cruz.

Estava sentado à mesa da cozinha quando o meu irmão veio para casa. Ele era onze anos mais velho do que eu, pelo que deveria ter 19. Era tão esperto como toda a gente que eu conhecia, mas também atrevido. Era daqueles que não se calava e se metia em sarilhos. Eu era um bom rapaz. Ia à igreja e acreditava em Deus – que alívio para uma mãe da classe trabalhadora. É que, tendo crescido onde eu cresci, as mães não esperavam que os seus filhos se tornassem médicos, limitavam-se a esperar que eles não fossem parar à cadeia. Vai daí, educavam-nos a acreditar em Deus e eles seriam bons e obedientes à lei. É um sistema perfeito. Quer dizer, quase. 75% dos Americanos são cristãos tementes a Deus; 75% dos presos são cristãos tementes a Deus. 10% dos americanos são ateus; 0.2% dos presos são ateus.

Mas enfim, lá estava eu desenhando alegremente o meu herói quando o meu irmão Bob perguntou: “Por que acreditas em Deus?”. Uma questão tão simples. Mas a minha mãe entrou em pânico. “Bob”, disse ela num tom que eu sabia que significava “cala-te!”. Mas porque é que aquilo era uma coisa má de ser perguntada? Se houvesse Deus e minha fé fosse forte o suficiente, não importaria o que as pessoas diriam.

Oh... espera lá. Não há Deus. Ele sabe-o e ela também o sabe, lá no fundo. Era tão simples quanto isto. Comecei a pensar no assunto e a colocar mais perguntas e, no espaço de uma hora, era ateu.

Uau! Não há Deus. Se a mãe me mentiu acerca de Deus, ter-me-á mentido também sobre o Pai Natal? Sim, claro, mas o que é que isso interessa? Os presentes continuaram a vir. E assim também os presentes do recém-descoberto ateísmo. Os presentes da verdade, da ciência e da natureza. Aprendi sobre a evolução – uma teoria tão simples que somente os grandes génios ingleses poderiam ter apresentado. Evolução das plantas, dos animais e do ser humano – com imaginação, livre arbítrio, amor e humor. Já não precisava de uma razão para a minha existência mas tão só de uma razão para viver. E imaginação, livre arbítrio, amor, humor, diversão, música, desporto, cerveja e pizza são razões boas quanto baste para viver.

Mas para viver uma vida honesta é preciso a verdade. Essa é a outra coisa que aprendi naquele dia: que a verdade, apesar de chocante ou desconfortável, no limite conduz à libertação e à dignidade.

Então o que significa realmente a questão “Por que não acreditas em Deus?” Penso que quando alguém faz essa pergunta está, na realidade, a questionar a sua própria crença. Em certa medida, está a perguntar “O que é que faz de ti especial?”, “Por que é que ainda não te fizeram uma lavagem ao cérebro como a nós?”, “Como te atreves a dizer que eu sou tolo e não vou para o céu?, Vai à m****”. Vamos ser honestos, se uma só pessoa acreditasse em Deus, seria considerada bastante estranha. Mas como é uma posição muito popular, é aceite. E por que é que se trata de uma perspectiva muito popular? É óbvio. Trata-se de uma proposição atraente. Crê em mim e viverás para sempre. Mais uma vez, se fosse só um caso de espiritualidade, estaria bem.

“Faz aos outros...” é uma maneira prática de proceder. Eu vivo de acordo com esse princípio. A capacidade de perdoar é provavelmente a maior das virtudes. Mas é exactamente isso: uma virtude. Não apenas uma virtude cristã. Ninguém possui a capacidade de ser bom. Eu sou bom. Só não acredito que vou ser recompensado por isso no céu. A minha recompensa é aqui e agora. É saber que tentei fazer o que era correcto. Que vivi uma vida boa. E é aqui que a espiritualidade perde o sentido, quando se torna um bastão para agredir as pessoas. “Faz isto ou arderás no inferno”.

Não arderás no inferno. Mas sê bom, de qualquer modo."

in: http://persuaccao.blogspot.com/2010/12/whay-im-atheist-por-rick-gervais.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Nada como um dia de sol...


para animar este meu espírito que alguns dizem tristonho...
Ontem me perguntaram se eu estava triste ou se já era triste por natureza e eu fiquei a pensar daquilo, darei um aspecto de triste? Introvertida sem dúvida, mas triste??? Vocês acham-me triste? Tu achas-me triste? e o meu anjo respondeu "Não és alegre como eu mas não temos de ser todos iguais e eu gosto de ti assim, reflexiva, cabecinha pensadora:-)
Eu que até me considero uma pessoa sortuda: sou saudável, tenho uma família que me Ama e um Amor na vida tenho mais é que me considerar uma pessoa feliz.
Se me perguntarem se sou feliz a 100% eu respondo que não mas também "Quem é 100% feliz???" e não sei se algum dia vou ser inteiramente feliz mas sei que me faltam algumas coisas para me sentir assim: um emprego que preencha os requesitos (eu gostar do que faça, poder ajudar os outros, bom salário horário compatível com vida normal)e filhos.

Até lá vou fazendo o que posso por mudar de vida...

Beijos e bons eclipses

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Brincar era imaginar


Eu sou do tempo em que brincar era imaginar. Brincar era fingir que se voava no cabo da vassoura, era fazer colares de erva e flores e imaginarmo-nos a fazer passagens de modelos, era fechar os olhos e imaginarmo-nos num balão sobrevoando o deserto ou os oceanos, era inventar outras línguas que só entre nós (crianças) era entendida, era explorar cada metro quadrado em volta de nossa casa ou até mesmo da aldeia,era... era tão bom!
Que é feito deste brincar? Como se estimula hoje as crianças a imaginar para escrever uma composição por exemplo se elas não brincam com imaginação? (e esta como qualquer músculo se não for estimulada - atrofia). Hoje as crianças têm os aviões telecomandados que voam e por isso não precisam de imaginar nada, hoje nos jogos de computador eles podem guiar, podem bater, poder matar... podem fazer tudo, até aquilo que nunca deveriam fazer...
Tenho saudades de ver crianças a subir às àrvores, a fazer aviõezinhos de papel, a brincar ao io-ô, a saltar à corda e até a andar de bicicleta. Onde estão as nossas poucas crianças? Fechadas dentro de casa por causa do medo dos pais? Não estaremos nós a comprometer o futuro delas e da humanidade ao impedi-las de brincar explorando o mundo e brincando com a imaginação?


Volta Peter-Pan... vem salvar o mundo!!!

Aprender a não ter pressa


Vivemos tão apressados num mundo tão belo que nem temos tempo para o admirar.
Vivemos correndo assemelhando-nos ao coelho sempre atrasado da história da Alice no País das Maravilhas.
Vivemos correndo tanto para quê? Se afinal chegamos sempre onde queremos se houver trabalho nesse sentido.
Vivemos controlados pelo relógio, e nem o tirá-lo do pulso (como eu fiz há muito)nos liberta do tic-tac dos ponteiros.
Vivemos prisioneiros por vontade do tempo, quando está nas nossas mãos controlá-lo.
Vivemos assim... mas como viver de outro modo?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um exemplo de serviço...


Nesta Páscoa de muito trabalho tive oportunidade de ir à missa de quinta-feira santa que foi aquela que me deu a maior mensagem desta quadra este ano. "Eu vim para servir e não para ser servido" dizia Jesus aos seus apóstolos e isto ficou a ecoar em mim...
toda a minha vida tem sido uma dedicação, uma entrega e um serviço desprendido e desmedido ao outro talvez por isso muitas vezes fique tão cansada, tão exausta, tão sem forças que acabo por precisar que cuidem de mim... na verdade acredito que a nossa vida é na verdade um ciclo, vamos cuidando sucessivamente uns dos outros. Os pais cuidam dos filhos e estes um dia cuidam de seus pais, os enfermeiros cuidam dos doentes e quando ficam doentes são cuidados por outros enfermeiros, os professores ensinam os alunos e um dia os alunos serão professores de algum filho ou neto dos seus mestres... acredito neste ciclo e dou o meu melhor em cada um deles.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sobre as taxas moderadoras...


Hoje lia uma notícia num jornal online que muito me fez pensar, nas injustiças que se fazem neste país. Sabiam que as mulheres que quiserem fazer uma interrupção voluntária da gravidez não vão pagar taxas moderadoras nem nenhum valor pelo acto médico? Mas será que sabiam também que as mulheres e casais que se queiram submeter a um tratamento contra a esterilidade (que infelizmente afecta cada vez mais casais em Portugal)pagam taxas moderadoras, se for nos poucos hospitais com assistência à reprodução medicamente assistida, ou na maioria dos casos paga o tratamento todo pois têm de recorrer aos privados?
Independentemente de serem a favor ou contra a IVG não acham isto uma injustiça? Onde está a igualdade de direitos entre as mulheres que querem ter um filho e as que não o querem ter?
Onde está a política de incentivo do governo à natalidade no nosso país que decresce a cada dia?
Onde está a equidade no acesso à saúde em Portugal?